Terça-feira, 7 de Junho de 2005

(FALTA DE ) BOM SENSO E BOM GOSTO

Terminado o jogo Portugal/Eslováquia, um repórter nervoso e saltitante de microfone em punho deambulava pela sala (VIP penso eu) onde teve lugar a entrega, ao pequeno Martunis, de três pacotes (ao que parece uma consola e respectivos acessórios) que a criança, mais interessado na sua imagem que estaria a passar na televisão, não se dava ao trabalho de desembrulhar. Mas não é do pequeno Martunis que pretendo falar, por muito que me sensibilize a sua história, o drama do tsunami, a camisola da selecção nacional com o número do Rui Costa que a criança, infeliz e desidratada, envergava quando foi encontrada, gerando a onda de solidariedade à sua volta que todos conhecemos. Foi o tal repórter que despertou a minha atenção, o qual tentava afanosamente colher depoimentos das figuras conhecidas que desfilavam frente às câmaras e eis que surge o Primeiro Ministro de Timor Mari Bin Alkatiri. Logo o nosso afadigado repórter, todo ufano, com o ar pimpão de novo-rico deslumbrado com os estofos do seu BMW, dirige-se para ele e, pasme-se, pergunta qualquer coisa do género: " Então como se sentiu a assistir a um jogo neste estádio? ". E como não havia, por perto, ninguém de bom senso que mandasse calar o homem, ele prosseguiu: " Em Timor não têm estádios assim, quando é que Timor irá ter um estádio destes? ". Mari Alkatiri, expressão fechada e compreensivelmente carrancuda, limitou-se a responder, polida e dignamente: " Em Timor temos outras prioridades, um dia teremos um estádio, não tão grande como este, mas teremos um estádio ". Tenho a certeza que, tivesse ele a verbosidade vernácula de Alberto João Jardim e a resposta seria outra: " Vá à merda mais o seu estádio porque se vocês não fossem uns pelintras megalómanos não construíam estádios destes ". Sim, porque mesmo vivendo noutro continente, Mari Alkatiri sabe certamente que também em Portugal havia e há outras prioridades.
No entanto, o nosso repórter saltitante, sem se dar conta do ridículo da situação ainda acrescentou: " Claro, Timor terá um dia o seu estádio ". Não há pachorra
publicado por mmfmatos às 12:56
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2 comentários:
De Anónimo a 10 de Junho de 2005 às 21:56
Repararam que lhes foram oferecidas consolas, jogos de computador... a família dele nem luz eléctrica deve ter!c
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(mailto:c@c.pt)


De Anónimo a 7 de Junho de 2005 às 16:03
Também não tenho nada contra o pequeno Martunis (é este o nome, não é?Se não for, tb não faz mal...), bem pelo contrário. O puto não tem culpa nenhuma. Mas já viram que fomos ( bem... fomos... é uma expressão forte...)os únicos que, bacocamente, andámos a fazer de babacas com o puto ao colo, só porque ele tinha vestido a camisola do Rui Costa?(que, de resto nem sabemos como terá lá ido parar...bom... cala-te boca...)E se por acsao ele tivesse vestido, sei lá porque artes do demonho, as cuecas do António Guterres? Como este agora é o máiór para os refugiados, o puto ainda tinha direito, por certo, a asilo político, mesmo que não quisesse...
Sem ser a propósito: obrigado por teres passado pelo meu Dique, volta sempre, que eu farei o mesmo no teu, que igualmente, vai direitinho para os meus favoritos. LOLCASTOR
(http://diquedocastor.blogs.sapo.pt)
(mailto:diquedocastor@sapo.pt)


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