Domingo, 5 de Junho de 2005

Tenho direito à indignação

Política, Moral, Inveja - Editorial do jornal Público de 4 de Junho, da autoria do seu director José Manuel Fernandes, leva-me a destacar 5 pontos que, segundo a minha interpretação, passo a resumir:
1. O Ministro das Finanças Campos e Cunha não cometeu nenhuma ilegalidade pelo facto de auferir uma pensão de aposentação cumulativamente com a remuneração de Ministro.
2. A pensão que lhe é paga pelos 6 anos como vice-governador do Banco de Portugal é um direito adquirido que não é pago pelos nossos impostos, mas pelos dividendos do fundo de pensões do referido Banco.
3. Não há imoralidade e quem o afirma embarca no populismo reinante dos que exigem sacrifícios àqueles que os pedem ao povo que, pelo facto de ser pobre, entende que os governantes também o devem ser.
4. Os Ministros ganham pouco o que torna meritório o sacrifício de alguém com o currículo e competência de Campos e Cunha, disponibilizando-se para gerir os nossos destinos e deixando para trás o sossego da vida universitária.
5. As críticas que a situação tem suscitado, em nome da moral, têm como objectivo explorar a mesquinhez e mediocridade nacional que fazem de nós um povo de invejosos.
Segundo a minha perspectiva, são estes os pontos fulcrais do Editorial de José Manuel Fernandes que não posso deixar de comentar:
Qualquer pessoa minimamente informada sabe que não existe ilegalidade, desde que haja suporte legal para determinadas situações, o que não impede que muita da legislação em vigor seja aberrante e imoral. Seria bom que quem legisla e autoriza tivesse o dom da infalibilidade, mas todos sabemos que isso não é possível. Felizmente as leis podem ser corrigidas e revogadas.
Relativamente ao facto de o Fundo de Pensões do Banco de Portugal não sair dos nossos impostos, peço perdão pela minha ignorância, talvez não saia directamente, mas gostaria de ser esclarecida se não se trata de verbas do Estado.
Ninguém pede aos Ministros que se afundem na miséria para que foi arrastada uma boa parte da população deste país pela sucessão de governantes incompetentes que nos têm (des)governado, mas, pelo menos, seria de bom tom que fossem os próprios a solidarizarem-se com o povo nos sacrifícios que pedem, solicitando que lhes fosse aplicada a norma prevista no Artº. 79º. do D.L. 498/72 que permite a manutenção da pensão de aposentação com a redução para uma terça parte da remuneração que competir pelo cargo desempenhado. Seria uma atitude que caía bem.
Pela parte que me toca, desde já agradeço o sacrifício que o Sr. Ministro das Finanças se prontificou a fazer pelo nosso futuro bem-estar e espero sinceramente que a sua competência seja suficiente para nos tirar do atoleiro em que estamos metidos.
Quanto à mesquinhez, mediocridade e inveja nacional, Sr. José Manuel Fernandes, estou em completo desacordo consigo. Ao longo de tantos anos de adversidade, maus-tratos, mentiras e falsas promessas, que povo se aguentaria de forma tão estóica, altruísta e paciente como o bom povo português? Só que a paciência também tem limites.


publicado por mmfmatos às 03:25
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2 comentários:
De Anónimo a 11 de Junho de 2005 às 00:32
- Isto está mesmo a pedir outro 25 de Abril, mas sem cravos vermelhos (irra que até fico cheio de comichão quando falo em vermelho - não,não é por causa do benfica)!!!!!! O que esses filhos da p... fizeram a este desgraçado País em nome da Democracia e da Liberdade!!! Isto só mesmo com armas à rua!!!!!!!!GoMeZ
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(mailto:dm_gsah@msn.com)


De Anónimo a 5 de Junho de 2005 às 13:34
De facto ao longo de tantos anos, com suor, lágrimas e sangue (já ouvi isto no tempo da velha Conceição do cadastro), continuamos com os nossos políticos insensíveis na resolução deste pequeno país plantado à beira-mar que tantos gostariam de o ter. Uns comem tanto...outros tão pouco.MLourdes Prata
(http://Paciênte Português)
(mailto:mlourdesprata22@hotmail.com)


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